António Santos, pintor de sonhos   por   Ricardo Costa

 

A pintura é poesia silenciosa e a  poesia pintura que fala. Frase atribuída a Plutarco in Simónides, De Gloria Atheniensium, III, 346.

 

 

Origem

Nasceu na aldeia de Crasto, povoado erguido junto das ruinas de uma fortificação da Idade do Ferro na região granítica de Trás-os-Montes. Foi numa noite fria de inverno, a 10 de janeiro de 1949. Fez a sua primeira peregrinação dois anos depois, levado para uma humilde aldeia vizinha do concelho de Murça. Aí ficou vinte e quatro anos, ajudando seus pais a retirar da terra o seu sustento e fazendo outros trabalhos ocasionais.


Trás-os-Montes são paragens habitadas por povos ibéricos e celtas, entre outros que cultivam pequenas propriedades e praticam a pastorícia levando rebanhos de cabras montanha abaixo, montanha acima, da «terra fria» para a «terra quente» e vice-versa. Têm hábitos comunitários seculares, associados a práticas de interajuda: o rebanho comunitário, o forno do povo, em que cada família coze o seu pão. Aldeias espalhadas pelas escarpas íngremes estão ligadas entre si por caminhos estreitos e tortuosos. O trabalho e a festa são celebrados todos os anos em rituais sazonais.

  

Migração

A migração é prática inerente desses povos. Migram no seio da terra-mãe lutando pela sobrevivência. Quando a adversidade lhes bate à porta (isso começa a acontecer com maior frequência nos anos sessenta porque uma ditadura obsoleta os obriga a sofrer coisas ainda mais árduas ou a escapar às guerras coloniais), muitos resolvem partir para longe, atraídos por promessas de sonho: mais cedo ou mais tarde, por ali passará uma insinuante brisa, vinda de terras distantes. E lá vão eles.  

Assim inicia o migrante nativo suas longas peregrinações. Primeiro, vai até Lisboa. Aí não cultiva nada. Nada há a cultivar nessa cidade luminosa. Na aldeia, aprendeu a erguer uma casa, a cavar com uma enxada, a reparar uma porta partida, a pintar uma parede. É isso que fará em qualquer parte.  

1973. Tem 24 anos. Como em Lisboa pouco desse trabalho há, como trabalho bem melhor se arranja em terras mais longínquas, o inato peregrino mete-se à estrada. Vai  até Paris, cidade ainda mais luminosa. Em Paris poderá reparar casas mais nobres. Lá se erguem paredes bem mais imponentes à espera de quem as pinte. Lá bem podem nascer seus filhos e crescer com mais refinada educação. Lá vive-se melhor. Lá viverá por muitos e muitos anos gratificantes. Lá vai ele…

Lá, trabalha com materiais nobres e belas tintas. Mas sente que ainda não foi tão longe quanto deseja e resolve ir mais ainda. Sonhos de infância mexem com ele de noite: paisagens de outras terras, figuras ambíguas, cores primárias intensas. Sabe bem que os sonhos reflectem realidades. Tenta discerni-las em seu redor mas vê que elas lhe escapam. Percebe então que aquilo que lhe escapa são materiais diferentes e melhores tintas: trabalho de artista, seu primeiro e último destino. Tem de ir à procura disso e de aprender a lidar com tais coisas. Como uma criança, tem de ir à escola. Coisas de sonho … só num museu. E lá vai ele.

Já que vive em Paris, vai ao Louvre. Aí põe-se a frequentar cursos em ateliers instrutivos. Aí é iniciado a assimilar conhecimentos cruciais e treinado em técnicas essenciais por mestres com prestígio. Aí descobre aquilo de que precisa para esculpir e pintar de outra maneira. Aí assimila aquilo que certos artistas fizeram na vida e por que motivo se empenharam tanto. Aí percebe claramente o que ele próprio fará, até onde finalmente irá.

 

Retorno

Um peregrino volta sempre a casa. Não há peregrino sem retorno. Segue em frente, prossegue o seu caminho, volta para trás num movimento cíclico contínuo, como quem segue em linha recta. Passo a passo, caminha para diante na esperança de encontrar, onde quer que vá, os lugares, as casas, os campos, gentes da sua terra. Diga-se o que se disser, as sacralidades adoradas em terras distantes, ainda que possam ser mais sagradas que as da nossa terra, não merecem a mesma crença. Algumas declinaram, outras foram corrompidas pelo Mal e viraram deuses pagãos. Um peregrino não é a mesma pessoa quando parte e quando regressa. Volta a casa purificado depois de se ter submetido a árduas provas. É por isso que vai: em busca da graça, até ao seu regresso.    

Ir a direito por caminhos retorcidos será o primeiro e último grande mistério com que se confronta. Cruzar-se com personagens dúbias em caminhadas sem fim não será o menor (1, 2). Vai e vem a cada passo. A vida é um progresso em elipse cheio de mistérios. 2013: foram quarenta anos de peregrinação. 

 

O Homem e a Mulher

Rodopiando, a realidade é destilada em fantasia. O processo resulta numa amálgama, líquida e espessa, de matérias e formas, massas e fluídos, cristais e cores, figurações e abstrações.

Essa alquimia processa-se assim: sentindo-se exilado em Paris, em Londres, em qualquer lugar onde vá, um homem sonha mais do que vê. Aquilo que vê em seu redor está transfigurado, tornando-se um híbrido de avistamentos e de reminiscências. Surgem figuras imprecisas. Certas delas parecem pessoas reais envoltas por paisagens longínquas. Outras são invocação pura: América, Celeste, África, Luz do Sol, Primavera, Rosa Vermelha, Oceano Azul, Alfazema, Floresta Exótica, Terra Mater, Ásia, Europa. Porquê? Porque ELA é «Herdeira de Afrodite, Deusa do Amor / Minha musa, minha mãe, minha amante / Foi, é e será do teu sagrado que a existência tem sentido / Pudesses tu gritar o Amor no teu constante e seres amada / Agora e para além dos tempos / Assim seria mais bela e mais forte a razão do meu ser». Assim é ELA: rude de aparência (4).

ELE, novo ou velho, é muitas vezes o seu ignóbil violador. Por natureza, é sobretudo o HOMEM que, saído do seu ventre, frutifica a Terra-Mãe. Mitos ancestrais ilustram essa crença. Um e outro fazem parte do mesmo. Sendo assim, entre eles não há lugar para a violência. Ambos jogam o mesmo jogo: criar seres humanos, produzir alguma coisa que sirva para os criar. ELE é o lavrador, o ceifeiro, o carroceiro, o semeador, o moleiro, o hábil raposo, o mascarado em ritos intemporais (5). ELA é a fiel companheira em intermináveis tarefas. Ambos se alimentam do mesmo trabalho. Ambos partilham as mesmas alegrias. Ambos gostam de flores silvestres (6, 7).

 

Peregrinações e viagens na noite

Peregrinar quer dizer viajar na demanda de imagens desejadas pela alma de um peregrino. Viagem no Tempo: o espaço tem de ser percorrido e o tempo tem de passar para que essas imagens possam ser vistas.  

O peregrino está longe. Alcançada a Terra Prometida e apaziguada a alma, ele começa logo a ser assediado por sonhos que lhe indicam o caminho de volta a casa. Sucede isso porque um deus qualquer, venerado na sagrada terra-mãe, já lá não mora e porque, vulnerável a essa contradição, a pobre alma do peregrino o atormenta com histórias sem sentido enquanto descansa. Para um pintor, cuja alma é particularmente sensível, fazer frente ao problema pode consistir em pintar os sonhos que tem. É isso que o António faz.

Andar de um lado para o outro será tarefa dura e obsessiva. Vai à terra todos os anos, à sua aldeola de Trás-os-Montes, para resolver a contradição. Aí, faz exposições dos seus sonhos pintados, desafiando os desígnios de injustas divindades. Foi para Paris obedecendo aos ditames desses deuses do bem-estar. Está agora de volta à terra onde nasceu, perdida no meio das cristas da montanha, para erguer uma casa de pedra, rodeada de hortas e de oliveiras, onde vai expor suas pinturas. Para sempre: o seu museu. Assim o decidiu: «Assim seria mais bela e mais forte a razão do meu ser», em honra da Terra-Mãe. Assim, reencontrado o paraíso perdido, os deuses terão vergonha e os negros pesadelos serão transformados em sonhos luminescentes.

Em terras onde animais são criados, por entre as várias criaturas que povoam um universo orwelliano, pode-se ver alguns que vale a pena pintar (8): galos de alto canto impondo-se perante galinhas cacarejantes, porcos de voz grossa roncando acima de súbditos obedientes, gatos doidamente perdidos por canários e pardais, cães pretos de chapéu encarnado de volta de coelhos cor-de-rosa, lobos, burros, macacos, cabras e outra fauna vulgar ilustrando umas tantas histórias disparatadas, histórias essas que nos amornam o sentimento. As fábulas, as histórias de embalar, atenuam certos males, dizem-nos certas verdades, despertam-nos a imaginação. Velhas histórias com essas eram muitas vezes contadas à lareira nas velhas aldeias de Trás-os-Montes. Também elas levam uma pessoa a regressar.

 

Os moinhos de vento e o pão

Também os moinhos de vento mitigam. Têm velas brancas. Velas brancas sempre a girar. Entre as varas que ostentam, têm cabaças ocas que cantam em ululantes melodias. Tal como as pessoas, os moinhos vivem e morrem (9). Como as azenhas de triste canto (10), movidas pelas correntes de inverno de ribeiros caprichosos, moem pacientemente o grão que dará o pão (11). Também eles nos contam histórias de embalar. Também eles nos fazem sonhar.

Na terra natal do peregrino, o trigo é moído em moinhos de vento. As searas são ceifadas com esforço. A semente é levada para os moinhos por burros humildes e pachorrentos para que se faça o pão. Povos antigos acreditavam ser o pão o corpo de Cristo. É esse o corpo de uma lenda que o peregrino não pode deixar de contar. Tal história tem mesmo de ser contada.

Tem de ser contada porque a ceifa é trabalho de verão, em jornadas abrasantes. Vergados sobre terra ressequida, os ceifeiros suam o dia inteiro. As searas cobrem encostas íngremes de terras plantadas entre montanhas. Partilhado com dor e alegria, o trabalho dura semanas. Por fim, o trigo tem de ser duramente batido para se extrair o grão, do qual é feita a farinha com que se faz o pão. Depois de amassada a farinha, leva-se a massa ao forno, antes que o pão possa ser servido. Antes que o pão possa ser servido, há que semear a terra. Antes de a terra ser semeada, há que lavrá-la. Semeada a terra, há que passar frias e intermináveis noites de inverno à lareira a contar muitas histórias. Esta história tem de ser contada porque revela uma série de coisas sobre os homens e as mulheres, a terra e o céu, as nuvens e os ventos, as matérias e as formas, as figuras e as cores. Para ser contada como deve ser, tal história tem de ser pintada.

 

Máscaras e mascarados

Nas aldeias de pedra de Trás-os-Montes, homens mascarados celebram todos os anos eventos cósmicos.  O que nos leva a outra versão da mesma história. Durante doze dias, quando o inverno se anuncia com ressoantes trovoadas e chuvadas intensas, como demónios, invocando e caos e permitindo-se liberdades heréticas, transgredindo regras sociais, perseguem as raparigas da aldeia batendo-lhes com bexigas de porco cheias de ar ou com barulhentos colares de guizos, excitando-as. Juntam-se em grupo pondo-se a representar peças de improviso, em sátira a vizinhos, ou fazendo pouco de risíveis casos. Fazendo coisas dessas, passam a ocupar o lugar de Satã, que é assim obrigado a deixar-se ficar pelo inferno enquanto eles por cá andam a fazer das suas.

Durante duas semanas, quando a primavera desponta cobrindo os campos de verde e de cores fortes, põe-se eles a representar outras personagens e a fazer outro teatro. Uma das mais importantes personagens que então encarnam é a do célebre Raposo, em rituais que servem para iniciar os rapazes da aldeia à idade adulta. Aí, tal como em culturas ancestrais africanas, como em certos rituais dos dogons (12), o Raposo desafia Deus, tomando o seu lugar no acto de criação do mundo. Deus é invejoso e cruel. Ressentido, começa a perseguir o pobre Raposo onde quer que ele esteja, sempre que muda de lugar, por intermédio de agentes odiosos.

Cada uma dessas máscaras representa típicas personagens. O pintor peregrino pinta dezoito dessas figuras. Envolvendo-as, preenchendo devidamente os cantos do quadro, traça formas e forja cores que nos ajudam a discernir «os conteúdos originais e funcionais» de tais personagens (13, 14).

 

Viagens na noite e eterno retorno

A atmosfera sombria que envolve esses ritos sazonais pouco difere da que rodeia os sonhos noturnos do peregrino. Ele sonha muito e não consegue facilmente esquecer que perturbantes aparições são essas que comprometem um bem merecido repouso depois de um penoso dia de trabalho. Os sonhos albergam intrigantes mistérios da vida.

Por que motivo dá ele de caras com enigmáticos frequentadores que lhe seguem os passos quando percorre paisagens familiares? Por que motivo aparecem quando não são solicitados? Por que motivo se vão quando deviam ficar? Por que motivo ficam quando deviam ir embora? Por que motivo insistem em segredar coisas ambíguas? Por que motivo nada dizem quando deviam falar? Por que motivo revelam verdades que mais parecem mentiras? Por que motivo se negam? Por que motivo certos deles são brancos de neve como anjos, outros cinzentos, outros pretos como carvão e se parecem com demónios? Outros vermelhos?  Outros azuis? Por que motivo seguem eles o peregrino quando preferia estar só? Por que motivo os lugares em que são avistados entram nos sonhos? Por que motivo aquelas casas, aqueles campos, aqueles rios são derradeiros locais de peregrinação?

Visto que as questões suscitadas por todos esses sonhos pintados não têm resposta, visto serem coisa melindrosa, o peregrino tenta resolver o dilema questionando cada um desses sonhos com palavras: escrevendo poemas pintados. Palavras sensíveis podem-nos levar a um melhor discernimento de formas e de matérias.

O peregrino pinta dezoito quadros com nome, entre outros inomináveis (15).  Dito em verso, como qualquer um dos outros, o primeiro deles é ferralha derretida vertida de uma fornalha ardente com rodas, rodeada pelas figuras brancas de um homem suspenso e de uma mulher jacente, casas no meio de um campo, um grupo de trabalhadores a partir pedra.

Assustado, quem assim sonha e que peregrino a sério ainda não é, decide ir-se de vez (16). Será este o Sonho Nº1 de uma série, assim descrita, de «Sonhos pintados / De dois lados / Desdobrados / Sonhos na noite / Com perspectiva quadrada / Negam-me o gozo / Da realidade / Viagens estranhas / Com navio / Crianças inquietas / Nascidas crescidas vividas / Na angústia do tempo / Tempo desmedido / Com grande sentido / Na cama deserta / Sonhos acontecidos / Na noite agitada / Com fantasia / Fantasmada / Por alma negada (Paris, 11/11/2008)».  O Sonho Nº2, A Queda do Poeta, é de mau auspício. Numa grande sala, gente da alta sociedade acha-se presente para o casamento do peregrino. Meio perdido, ele deambula por um emaranhado de salas contíguas. Um homem, que está a arranjar um telhado que o peregrino bem conhece, cai. Ele acorda, sentindo-se como «Alma frustrada / Caída o chão / Em sala fechada» (18).  O Sono Nº Seis, Projecção, começa quando o peregrino, intimado a divorciar-se, se encontra no interior de um prédio cheio de escritórios. Desolado, resolve ir ao cinema. Sentado em frente do ecrã, é desafiado pelo realizador da fita a confessar se gosta ou não da sua terra natal. Confessa que o que por ela sente é mais que amor, que é uma paixão. A luz apaga-se. No escuro, sente-se como se a sua alma tivesse sido descartada do corpo. Nesse estado se encontra agora, à beira de uma estrada, quando vários motociclos barulhentos irrompem conduzidos por guardas-republicanos que se põem aos tiros contra as pessoas. Atingido por uma bala, o peregrino acorda a pensar que tinha esquecido a idade (19). O último sonho, o Sonho Nº18, O Jogo da Corda, é pintado deste modo: «Num grande vale / Com montanhas em volta / Eu assistia a um jogo popular / De puxar pela corda / Seis homens / Três de cada lado / Puxavam com toda a força / Reconheci alguns amigos / Fiquei sem saber / Quem ganhou e quem perdeu / E acordei  (Paris, 04/10/09 (20).

  

Formas e matérias

As pinturas do peregrino são formas de expressão derivadas da inspiração. Não conseguia pintar se não fosse inspirado. Pintar coisas complexas significa ser inspirado por múltiplas fontes. É por isso que as suas pinturas são delírios intensos e coloridos. Usando palavras que o ajudem a decifrar as visões que pinta, exprime-se inspirado por formas elementares que emergem em verso como baladas, como cantigas de embalar.

As suas figuras, traços e cores são parecidas com as do primitivismo, como as de Paul Gaugin ou Paul Klee, embora tenham sido importadas de origens primitivas diferentes das que inspiraram esses pintores. As suas rudes mulheres, como as de Henry Matisse, são fauve, mas foram geradas por diferentes motivos rebeldes. O seu primitivismo ou fauvismo é subtilmente convertido em metáfora desses movimentos inspiradores. O simbolismo do peregrino, as suas fleurs du mal, exprimem «ideias primordiais» diferentes das proclamadas pelo movimento simbolista (21). Os símbolos que pinta não são representações de ideias mas sim figurações de realidades: projecções do mundo lá de fora para o de cá de dentro, matérias sensíveis encaixadas num quadro, pura verdade apenas deformada por uma janela imperfeita. Não sendo perfeita, a janela muda as formas mas não as matérias e as cores. As coisas reais ficam intocáveis dentro do quadro. Deformadas, apenas são apercebidas por olhos surpreendidos ou perturbados, que iniciam sonhos. Projecções realistas convertem-se assim em visões surrealistas. Mais uma vez, um significante fiel, imagem ou palavra, se torna metáfora. O resultado disso será mais forte se as imagens e as palavras se fundem. É coisa que leva a uma excitante fantasia, a uma metáfora que não trai o seu motivo.

Se o cinema verdade existe, mesmo contaminado pela fantasia, podemos constatar que a pintura verdade também existe. Se o cinema verdade pode coexistir com a ficção, o mesmo se passa com a pintura verdade. O velho Jean Rouch, cineasta e etnólogo, que lançou esse termo, disse uma vez que um plano involuntariamente fosco de um pôr-do-sol, parecendo à primeira vista falso como uma pintura num documentário, era na verdade mais fiel e bonito do que qualquer plano bem focado.

Entre todos os outros motivos dos quadros do António Santos, dominam os da terra-mãe. Fundindo na representação pictórica verdade com fantasia, imagem parada com poesia narrativa, primitivismo pessoal com fauvismo visceral, simbolismo intemporal com expressionismo provocatório, figuração crua com abstracção lúdica, surrealismo primitivo com genuína etnografia, misturando todos esses ingredientes com uma grande colher de pau tal como faziam as mulheres de outrora em Trás-os-Montes para cozinhar nutritivas refeições, o peregrino consegue fazer um caldo mais gostoso do que a sopa de pedra de qualquer frade lendário (22). Não é feito de pequena monta. (23 a 34)

© Ricardo Costa  12 de Agosto, 2013

 

NOTAS

 

no  texto:

 

 

N 01    Mulher com bola de fogo   (Sonhos de Paris)

 

N 02    Balança do Tempo   (Londres)

 

N 03     Portfolio  Ver páginas  1 a 5  em Artmajeur  

 

N 04    La Femme  Introdução  no catálogo da série  Mulher, primeira exposição,  

na galeria de Artmajeur

 

N 05    Máscaras e Mascarados  na galeria AM

 

N 06   Página 3   na galeria AM

 

N 07   O Ciclo do Pão   na galeria AM

 

N 08   Animais  na galeria AM

 

N 09   Moinhos de Vento  na galeria AM

 

N 11   Azenha  na galeria AM

 

N 10   Do Pão ao Grão  na galeria AM

 

N 12   Dogon  (Artigo na Wikipédia)

 

N 13   Máscaras e Mascarados  - Artigo de António Cravo

                                                        

N 14  A Raposa in Palavras, entrevistas com Jean Rouch, com a participação de  António Santos

 

N 15   Sonhos fora de série :  Avião levando árvore com pássaros    Chegando do estrangeiro,  arquivo

 

N 16   Sonho Nº Zero,  Poemas Pintados, arquivo

 

N 17   Sonho Nº01: A Fornalha,  arquivo

 

N 18   Sonho Nº02:  A Queda do Poeta,  arquivo

 

N 19   Sonho Nº06:  Projecção,  arquivo

 

N 20   Sonho Nº18: O Jogo da Corda,  arquivo

 

N 21   Referência  em inglês ao Movimento Simbolista em  U.C.P.

 

N 22  A sopa de pedra (Wiki)  é uma lenda que se conta em muitas aldeias de Portugal.  Um frade esfomeado em peregrinação ludibria um pobre lavrador a quem pede apenas alguns ingredientes  para fazer uma deliciosa sopa com um pedra que traz no alforge.

 

 

Relativas ao texto:

 

N 23   The Long Conversation between Painting and Poetry  - página web por temas

 

N 24  Between Art and Anthropology (Google books). Arnd Shneider e Christopher Wright, eds. New York: Berg, 2010. 224 pp.

 

N 25   Textos em inglês  de  Susan Ossman

 

N 26   Telling Stories Through Art  - artigo relecionado em  The Museum Network

 

N 27    Narrative Art  - Descrição em  M.O.C.A., Los Angeles

 

N 28   Art: Narrative Painting Struggles For a Rebirth – Artigo de Hilton Kramer, NYT, publicado a 3 de Abril, 1981

 

em português

 

N  29  Máscaras de Trás-os-Montes na Maison des Sciences de l'Homme em Paris

- Artigo de Daniel Lacerda sobre a exposição em Paris na "Casa das Ciências do Homem", publicado na revista Latitudes, número 11, p. 79, 11 de Maio 2001 - Referência à exposição em Persee

 

N 30  Máscaras Portuguesas, Benjamim Pereira, Junta de Investigação do Ultramar / Museu de Etnologia do Ultramar, 1973, 156 pp.

 

N 31  Os dois países de Benjamim Pereira: uma homenagem  - Artigo de João Leal em Scielo

 

N 32   Artigo  referente aos rituais em Trás-os-Montes publicado em Bragançanet

 

N 33  Carnaval - Tradições em Trás-os-Montes – Artigo de Ana Flor do Lácio sobre máscaras e rituais em celebração do carnaval, publicado em  Recanto das Letras, 3 de Julho 2011

 

N 34  Nós Por Cá "Tradições do Nordeste Transmontano"   - Tese de mestrado de  Mariana do Rosário na Universidade de Trás-os-Montes, Julho de 2008, 122 pp.

 

 

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Artigo em  Inglês   Francês 

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Três Irmãos           

A Mulher e a Natureza

A Revolução dos Cravos